Você é mais burro (ou inteligente) do que pensa


Somos péssimos em avaliar nossa própria competência (então não deixe isso te parar)

Eu sei que já falei isso aqui, mas no dia 30 de maio eu lancei meu EP e achei que antes de seguir com o experimento recém iniciado, valia a nota sobre isso.

Como sempre, achei que valia um texto compartilhando um pouco dos aprendizados ao longo do caminho.

Fui vítima do efeito Dunning-Kruger

Ainda lembro do dia que finalizei o trabalho no EP.

Declarei muitas vezes o trabalho como concluído, só pra olhar depois e encontrar vários defeitos. As vozes não estavam muito boas, a mix não estava soando do jeito que eu queria, a captação não estava lá naquele ponto.

E a questão não era tanto assim o resultado, mas um tipo de cabeça-durismo e ignorância minha. Eu achava que dava pra fazer o negócio ficar bom sem ter estudado apropriadamente pra isso.

Então, algo que poderia facilmente ter sido concluído em um mês (ou dois), estendeu-se por mais de um ano.

Nada como colocar a mão na massa pra entender que você é provavelmente bem mais burro do que pensa.

Existe um nome pra isso: Efeito Dunning-Kruger.

Trata-se de um viés cognitivo no qual uma pessoa com baixa habilidade técnica entende-se com uma superioridade ilusória perante uma determinada tarefa. E, ao mesmo tempo, uma pessoa com alta capacidade técnica tende a subestimar suas próprias habilidades e superestimar as habilidades dos outros.

Resumindo: somos péssimos ao julgar nossa própria competência ou incompetência.

Então, pense você ser mais ou menos competente, não deixe isso te parar.

Você pode até ser inteligente, mas ainda vai precisar de ajuda

No meu caso, em algum momento precisei aceitar minha ignorância e o fato de que não há atalhos.

Vale, antes de continuarmos, uma nota: eu sempre me orgulhei de ser autodidata, de conseguir pegar algo e ir aprendendo enquanto tinha que desenrolar a coisa.

Mas esse modo de operação tem um limite. Você perde tempo demais quebrando a cabeça e cometendo erros que os outros já cometeram quando poderia abaixar a cabeça e aproveitar o conhecimento já acumulado.

No meu caso, em um certo momento fui obrigado a sentar a bunda, procurar material, tomar aulas, organizar as ideias e confiar nos pitacos de quem tinha mais experiência.

Isso foi uma lição de humildade pra quem achava que dava conta de resolver tudo sozinho.

Você pode até ter um plano, mas nunca sabe o que vai acontecer ao final do caminho

Eles dão um nome pra isso: serendipidade.

Lá no começo eu tinha um planejamento totalmente diferente do que seria do meu EP.

Tudo começou com um amigo me convidando pra fazer umas músicas. A ideia era finalizar em um mês. Nem preciso dizer que tomou muito mais do que o esperado. Tivemos mil imprevistos. As ideias iniciais pra arranjo, letra, estrutura… tudo mudou. O que era pra ser algo feito praticamente no improviso acabou virando um trabalho meticuloso.

Por outro lado, aprendi bastante no processo. Descobri muito sobre minha forma de criar, sobre quem sou como artista, do que realmente sou capaz e, principalmente, quando é melhor confiar no que me é sugerido e desencanar das minhas próprias ideias.

Posso não ter chegado ao final de tudo com o que achei que seria o meu material, mas sem dúvidas terminei mais maduro.

(E, cá entre nós, estou bem satisfeito.)

Não existe caminho fácil (ou: você vai precisar praticar)

Como já falei ali em cima, eu realmente achava que conseguiria pegar minha guitarra e sair cobrindo todas as lacunas pra deixar minhas músicas boas.

Só que, nem de longe, foi assim. Eu até conseguia, no começo, sair colocando algumas ideias que solfejava. Mas, depois de um certo tempo, eu não tinha repertório. Ouvia milhões de vezes os trechos, sabia que faltava algo, mas não sabia o que fazer.

Outra coisa que acontecia com uma certa frequência era eu não ter a mão pronta pra tocar algo que imaginava.

Não teve jeito. Precisei estudar.

Sentei a bunda, procurei livros de teoria musical, pratiquei por horas as partes que precisava.

Ou seja: ainda que você ouça muita música, veja muitos filmes, vídeos do TED ou cursos na web, vai precisar treinar.

Você precisa fazer o caminho que esses caras fizeram pra ter essas habilidades internalizadas. Talvez você tenha de voltar ao básico, sedimentar bem alguma técnica cujo aprendizado pulou lá atrás.

É trabalho pra caramba, mas compensa.

Tenha pessoas em quem possa confiar para pedir pitacos

Eu não sei o que seria de mim sem as pessoas que me apoiaram nesse processo.

E uma parte dolorida disso foi ouvir inúmeras vezes que uma determinada performance não estava bom, que um arranjo estava fora do lugar, que algo precisava ser lapidado.

Não é fácil, quando você quer tirar a coisa do papel e quer ser bom. A vontade de receber elogios acaba se confrontando com a realidade.

Dói, mas é muito melhor ouvir, realmente levar em consideração os pitacos e fazer o seu melhor.

Os feedbacks podem ser contraditórios (e você vai ter de tomar decisões)

O outro lado disso é que nem sempre as pessoas têm os mesmos gostos e opiniões. Por vezes, duas pessoas que você gosta muito vão ter opiniões diferentes sobre uma mesma coisa.

Então, não vai ter jeito: você vai precisar entender qual efeito pretende gerar, aceitar a realidade de que não dá pra agradar todo mundo e tomar uma decisão.


Esses foram alguns dos aprendizados que tive na produção do meu EP. Fico super feliz de chegar aqui e poder compartilhar isso com vocês.

Claro, tive muitos outros insights no caminho e, se me deixar, fico falando o dia inteiro, mas todo texto precisa ter seu fim.

E, como nunca é demais deixar claro: ainda que você esteja errado sobre sua competência, partir pra ação e se descobrir mais burro ou mais inteligente do que pensa tende a só gerar bons efeitos.

Além da satisfação de aprender tanto e ter nas mãos a conclusão de algo que deu tanto trabalho, é demais colocar no mundo algo seu e receber a apreciação de tanta gente carinhosa. Você sempre ganha muito mais partindo pra ação.


Ouça meu single Entrega

Acabei de lançar um single chamado Entrega. Se quiser me fazer feliz, não economize nas palmas aqui embaixo mas também ouça minhas músicas, deixe um recado, siga meu Instagram ou no Spotify. Assim eu garanto que você faz o meu dia. 🙂


Esse conteúdo é gratuito e vai continuar sendo assim por tempo indeterminado.

Uma das poucas coisas que peço em troca é: se gostou do material, me siga, favorite o texto e compartilhe. É de graça e indolor pra você, mas ajuda algo que foi bom pra você a chegar em bem mais gente.

Se tiver algo a complementar no texto, não deixe de comentar. Todo mundo ganha.

Nos vemos segunda que vem!

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