Faleceu Robert Dahlqvist (guitarrista do Hellacopters).

Quando eu era um molecote desses que deixa o cabelo crescer e acha que sair falando mais alto é sinal de que você é o bróder mais descolado da galera, eu quis montar uma banda.

Na época, lembro de toda a aflição que eu sentia por ter o que eu considerava uma ideia genial na cabeça, mas ainda sem nenhum apoio de amigos que quisessem a mesma coisa que eu. Um belo dia, eu estava na casa do Márcio Lins, peguei o telefone (fixo, olha só) e liguei pro Camillo Royale, que nem deve lembrar disso, pra pedir pra ele tocar comigo, como guitarrista. Ele, bem polidamente, recusou, mas me indicou uma banda, pra eu conhecer e usar como referência.

A banda em questão era o Hellacopters. Depois disso, eu viciei. A banda era sensacional e serviu como uma grande inspiração pra minha primeira empreitada como músico. Eles moldaram meu modo de fazer música e entender canções pro rock. Refrões fortes, drive cortante na guitarra, um certo toque vintage, bateria dançante falando alto. Intensidade! Acho que nem consigo explicar bem o tanto de importância que eles tiveram.

Hoje, o guitarrista deles, Robert Dahlqvist faleceu. Certamente, não vai causar a comoção coletiva que o David Bowie causou, mas pra mim, a sensação de receber essa notícia é bem parecida.

Um cara que teve uma importância enorme, que eu nunca vi pessoalmente, que não faz ideia do papel que teve na minha vida, está indo. Não vai mais ter nenhum disco com a guitarra dele. Acabou.

A gente morre, nosso tempo acaba. Podemos ter sido estrelas da MTV, ter alimentado o sonho de alguns adolescentes, mas o fim chega.

Obrigado pela força, Dahlqvist. Espero que tenham bons amplificadores pra sua guitarra aí do outro lado.

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