Faleceu Robert Dahlqvist (guitarrista do Hellacopters).

Quando eu era um molecote desses que deixa o cabelo crescer e acha que sair falando mais alto é sinal de que você é o bróder mais descolado da galera, eu quis montar uma banda.

Na época, lembro de toda a aflição que eu sentia por ter o que eu considerava uma ideia genial na cabeça, mas ainda sem nenhum apoio de amigos que quisessem a mesma coisa que eu. Um belo dia, eu estava na casa do Márcio Lins, peguei o telefone (fixo, olha só) e liguei pro Camillo Royale, que nem deve lembrar disso, pra pedir pra ele tocar comigo, como guitarrista. Ele, bem polidamente, recusou, mas me indicou uma banda, pra eu conhecer e usar como referência.

A banda em questão era o Hellacopters. Depois disso, eu viciei. A banda era sensacional e serviu como uma grande inspiração pra minha primeira empreitada como músico. Eles moldaram meu modo de fazer música e entender canções pro rock. Refrões fortes, drive cortante na guitarra, um certo toque vintage, bateria dançante falando alto. Intensidade! Acho que nem consigo explicar bem o tanto de importância que eles tiveram.

Hoje, o guitarrista deles, Robert Dahlqvist faleceu. Certamente, não vai causar a comoção coletiva que o David Bowie causou, mas pra mim, a sensação de receber essa notícia é bem parecida.

Um cara que teve uma importância enorme, que eu nunca vi pessoalmente, que não faz ideia do papel que teve na minha vida, está indo. Não vai mais ter nenhum disco com a guitarra dele. Acabou.

A gente morre, nosso tempo acaba. Podemos ter sido estrelas da MTV, ter alimentado o sonho de alguns adolescentes, mas o fim chega.

Obrigado pela força, Dahlqvist. Espero que tenham bons amplificadores pra sua guitarra aí do outro lado.

Desculpa, mas gente boa mata, sim


A propaganda do governo é ruim mas tem uma mensagem que talvez seja melhor ouvir

As pessoas ficaram realmente bravas com a nova campanha do governo que diz que gente boa também mata.

E eu entendo que a peça é bem ruim. Como propaganda que tenta pacificar o trânsito, é fraca. É bizarro que se você usar o sentido da palavra “pode” como “está autorizado a”, o cartaz se transforma numa imagem que poderia ter saído de alguma distopia maluca.

A medida em si também é de utilidade questionável. A OMS sugere, por exemplo, que se diminua a publicidade de bebidas alcoólicas, como uma medida para diminuir acidentes de trânsito, mas sabemos que com o poder das cervejeiras no país isso dificilmente vai acontecer.

De qualquer forma, eu entendo que as pessoas, cidadãs tão honestas, trabalhadoras, não queiram ser vistas como monstros em potencial, ainda mais quando esse olhar vem do seu governo.

Mas, na real… gente boa também mata, sim.

A peça é ruim, dá ênfase à coisa errada, na minha opinião. Mas a premissa é boa. Nossos pais, mães, tios, tias, irmãos, irmãs, amigos e amigas… todas são pessoas maravilhosas, mas que cometem deslizes, que têm lados sombrios, desejos que nem imaginamos.

Essas mesmas pessoas cometem o tempo inteiro ações aparentemente bobas, como falar ao celular enquanto dirigem, avançar o sinal vermelho, andar fora do limite de velocidade, que podem, sim, levar à morte de alguém.

Elas caminham pelo mundo tranquilamente, mas lá um dia, uma cadeia inexplicável de acontecimentos as leva a ultrapassar uma linha e cometerem ações negativas irreversíveis, crimes propriamente ditos, como entrar em um acidente de trânsito e matar alguém.

O assassino, o monstro, às vezes é igualzinho a você. Ele acha que só uma vezinha não vai fazer mal a ninguém, que é só um susto no ciclista, que é só uma economia no combustível ou que não precisa se preocupar tanto com a segurança por que a casa nunca vai pegar fogo.

Elas só não querem falir a empresa ou acham, de verdade, que é ruim pro trânsito ter um ciclista na rua. O jeito pode ser torto, mas a intenção raramente é de foder a vida de todo mundo.

Essas pessoas apostam que tudo vai dar certo e fazem o que fazem acreditando que aquilo é pro bem delas.

Mas, ainda assim, o pior acaba acontecendo. E, de repente, um cidadão comum, “de bem”, vira notícia.

Você mesmo, aposto, tem todo um diário mental com os mil pensamentos generosos que passam pela sua cabeça, mas não deve dar o mesmo peso às atrocidades que pensa (e faz).

Esse escândalo fruto da mera ideia de um médico, professor ou um ativista dos animaizinhos, cometendo um deslize ou uma ação deliberada que leve a um dano ou uma morte, é muito significativo. Mostra que estamos romantizando posições sociais, profissões, pessoas. E, se o fazemos com os outros, provavelmente estamos dirigindo essa medida a nós mesmos.

Não há monstros, assim como não há paladinos da justiça caminhando por aí, imaculados tanto pro bem como para o mal.

É por isso que, apesar de desastrada, essa ação até que tem um ponto.

E, se você pensa que é bondoso e nunca se igualaria a um assassino do trânsito, é justamente a você que a propaganda se dirige. E é por talvez ter acertado que você tenha ficado tão revoltado.

Afinal, “como assim, o melhor aluno da sala pode matar? Eu sou o melhor aluno da sala e nunca mataria ninguém!”

Se você se acha acima de cometer qualquer deslize, talvez valha a reflexão e olhar atentamente pra como você se comporta e o que efetivamente faz, não só pro que pensa fazer.

Se você acha que sabe o que está fazendo e nunca vai errar, tem um problema que pode causar consequências a você e, pior, a alguém que nem faz ideia do que está acontecendo.

Se tem uma coisa que todo mundo devia saber, é que não vai dar certo sempre.

A carta cafona a quem sobreviveu a 2016

É, amigos, já está na hora do nossa querida e cafona retrospectiva 2016.

Esse ano foi de dar pesadelo.

Mas eu acho que grande parte disso se deve ao fato de simplesmente termos começado a olhar pro tanto de merda que temos acontecendo por aí.

Da morte de David Bowie logo nos primeiros minutos do ano ao descarrilhar da cultura do século XX quase toda. Da eleição nos EUA ao golpe aqui no nosso querido Brasilzão. Das trocentas histórias de desemprego entre amigos até os imprevistos cotidianos aos quais ninguém está imune. A gente foi anotando tudo.

Agora, temos um caderno cheio de problemas e terminamos o ano com essa sensação de esgotamento. 2016 foi foda, doeu, deixou um monte de gente pelo caminho.

Mas não dá pra pensar só na conjuntura mundial. Assim como não dá pra pensar só nas desgraças que aconteceram comigo. É injusto.

Por que a verdade é que pra cada pequena agulhada cotidiana, eu tenho mil motivos pra agradecer. Cada merda fez surgir apoio de onde eu nem imaginava. Cada tropeço veio com um inevitável recomeço. E é assim, até que a gente morre e o que sobra é descansar até a carne virar terra.

Esse ano, por exemplo, aconteceu tanta coisa que eu sempre quis, mas nunca tive força pra fazer. Eu comecei a escrever no meu Medium, publiquei uns 30 textos por lá, conheci um monte de gente legal, recebi tantas mensagens de elogio e apoio, quase diariamente, que ficou fácil até deixar isso meio de lado.

Eu finalmente terminei meu EP, que está engavetado, mas está pronto. E, olha só, estou bem avançado no processo de composição de uma outra coisa que pode vir a ser um novo EP ou, talvez, um disco propriamente dito.

Apesar de longe do ideal, esse foi meu ano mais saudável. Comi muito melhor, me exercitei muito mais, comprei uma bicicleta, fiz até uma trilha.

Esse ano eu fiz minha primeira viagem internacional, pro Peru, com a Ana Noemi Higa. Eu, no Machu Picchu. Com ela. Quem diria?

Esse foi o ano que eu aprendi que há momentos em que você tem que pisar no acelerador e momentos que tem que frear. Não dá pra trabalhar sempre com o motor a todo vapor. E isso só é possível graças a eu trabalhar num lugar tão fantástico quanto o PdH, que me proporciona mil experiências loucas todos os dias, mas acima de tudo, é um lugar que é quase um milagre, onde eu posso ser exatamente quem sou perto de gente incrível. Todo. Santo. Dia. Quantas pessoas têm essa sorte?

E agora estou terminando 2016 em Belém, em casa, com a minha mãe, meu irmão e meus amigos, como se ainda tivesse 15 anos.

Ainda assim, minha aposta é que 2017 vai ser pior. E acho que as chances são grandes de ser bem ruim, assim como todos os anos o são, principalmente se a gente não tiver autonomia e não souber tomar as rédeas de como encaramos os acontecimentos e solucionamos nossos problemas.

A verdade é que tudo sempre vai sair diferente do que planejamos. Não importa o quão bem feito nosso plano seja, sempre vamos nos deparar com algo inesperado. Sempre.

Pense só, a Disney investiu bilhões pra reviver Star Wars, pagou milhões só pra Carrie Fisher, sem contar os outros membros do elenco antigo, já tinham roteiro, diretor, tudo andando direitinho… e ela morre. Agora, eles terão que pensar em uma rota alternativa pra concluir a saga (que, dizem as bocas miúdas, teria justamente a Leia com muito mais destaque do que ela tinha na trilogia original). Eles pensaram em tudo, mas não teve jeito de pensar no que iam fazer se alguém morresse.

Assim vai ser pra gente também. Vamos investir nosso tempo e nosso dinheirinho torcendo pra que tudo dê certo. Mas na maioria das vezes, não vai dar.

O que realmente vai fazer 2017 ser um ano melhor ou pior não é sermos muito mais capazes de cumprir nossas promessas de ano novo, nem de gerar mais lucro pro patrão, ganhar uma promoção ou ver a economia brasileira despontar. Mas sim, a nossa capacidade de permanecer estáveis frente às tempestades que com certeza virão.

Certamente, em 2017 vamos enterrar muito mais celebridades, parentes e amigos que amamos e vamos ver o aumentar de muitas tensões políticas e econômicas.

Não precisamos fechar mais fronteiras, construir muros, colocar alarmes e nos fechar ainda mais, com medo de nos decepcionarmos. Aliás, foi esse impulso que nos trouxe até 2016.

Chega de raiva. Chega de ódio. E chega de medo.

Quando tudo der errado, vamos precisar das pessoas mais lúcidas, estáveis, com o coração aberto e cheio de compaixão.

É isso que vai nos trazer um 2017 diferente.

Feliz ano novo pra todo mundo!

Amo vocês!

Como parar de divulgar e ser enganado por notícias falsas


Em 2016, notícias falsas e boatos foram muito mais importantes do que gostaríamos de admitir. É hora de falar sério sobre isso e evitar esse problema.

Notícias falsas não são um fenômeno novo, nem mesmo pra Internet.

Se você tem idade o suficiente pra ter visto o engatinhar dos primeiros serviços de email, antes das redes sociais, sabe que elas se espalham, não importa muito como. Provavelmente, foi assim que você ou a sua mãe ouviram falar pela primeira vez que o McDonalds usa carne de minhoca pra fazer os hambúrgueres, ou que o governo estava escondendo a verdade sobre o ET de Varginha ou o chupacabras, ou ainda que havia um príncipe africano querendo depositar dinheiro na sua conta para se livrar de um golpe de estado.

Até aí esses hoax não parecem lá tão prejudiciais assim.

Porém, o que aconteceu em 2016 é um desdobramento que, talvez, ninguém imaginava. Notícias falsas, com apelo emocional fortíssimo, tiveram participação em eventos que vão ficar marcados na nossa história. Da eleição de Trump à saída do Reino Unido da União Europeia, passando por informações manipuladas e desencontradas sobre o conflito na Síria. Elas estão por aí.

A verdade é que há muito tempo boatos e notícias enganosas são muito significativas como arma de manipulação, seja pra publicidade ou pra eleger governos nacionalistas, como na Alemanha Nazista.

Mas não é só na esfera política e global que as notícias podem ter efeito devastador. O Nexo Jornal conta a história de duas pessoas, uma que hoje não sai de casa com medo e outra que morreu espancada por causa de notícias falsas.

O serralheiro carioca Carlos Luiz Batista, de 39 anos, viu sua vida virar de cabeça para baixo em poucos dias em razão de um boato compartilhado nas redes sociais. Uma mensagem, acompanhada de sua foto, dizia que o serralheiro era “estuprador e sequestrador de crianças”.

Batista, que começou a receber ameaças, agora tem medo de sair de casa. Não é o primeiro caso do tipo: em 2014, uma mulher foi espancada até a morte no Guarujá, litoral paulista, depois de ser acusada, em boatos em redes sociais, de que estuprava e sequestrava crianças. No entanto, nem sequer existiam denúncias do tipo na região.

Em 2016, pós-verdade, foi escolhida como a palavra do ano pela Universidade de Oxford, um adjetivo “que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”.

E, em tempos como o nosso, no qual não faltam links para clicar, é muito mais importante saber em quem você pode confiar ou não, tanto que o Google e o Facebook já anunciaram medidas pra impedir a viralização e também facilitar a checagem de notícias.

Aqui, vale dizer: não é à toa que notícias falsas têm tanta penetração e se popularizam tão rápido. A questão é que não é fácil identificá-las. Você precisa respirar, ler com calma, ver o que outros veículos estão falando a respeito, etc.

Porém, ainda que saibamos que é necessário um certo esforço e que muito provavelmente a maioria das pessoas não tem sequer tempo ou motivação pra fazê-lo, ainda temos desempenhar o nosso papel de não ser multiplicador de desinformação e também de ajudar a esclarecer quem esteja caindo nesse erro.

Certamente, não é uma conversa fácil, mas vale comentar gentilmente lá no post daquele seu amigo que divulgou que Bolsonaro foi eleito o político mais honesto do mundo e avisar que a notícia é falsa. Todo mundo sai ganhando.

Algumas características de notícias falsas


As notícias falsas são feitas para viralizar. Assim, elas costumam ter características que se repetem. Então, se deparar com algo que vem pegando fogo na timeline, vale checar.

1. Se for absurdo ou bom demais, provavelmente é falso. Vale lembrar que notícias falsas são feitas para angariar cliques e não há nada melhor do que um sonho impossível se tornando realidade ou o reforço de uma antiga crença pra gerar uma resposta emocional e colocar seu dedo ali no botão de compartilhar.

2. Imagens fortes, cadáveres, violência excessiva. Novamente, o foco é gerar revolta, indignação, nojo. Grandes veículos raramente fazem uso desse tipo de recurso, já blogs e sites menores, não costumam ter pena de apelar para gerar cliques, mesmo que pra isso tenham que forjar imagens (o que não raro é o caso).

3. Citação de pessoas ou especialistas que não existem. É fácil identificar uma notícia falsa procurando pelos nomes citados. Em geral, quem fabrica notícias coloca nomes de indivíduos inexistentes como se fossem profissionais de alguma instituição renomada. Por exemplo, citam um jornalista dizendo que ele foi premiado pelo Pulitzer e quando você procura o nome dele no Google, vê que não só ele nunca ganhou nenhum Pulitzer, como ele não existe. É um dos modos mais efetivos de identificar problemas em uma publicação e se repete bastante em notícias que citam estudos científicos bizarros.

4. Texto sem data. esses artigos costumam viralizar de novo de tempos em tempos. Um dos motivos é que eles não possuem data, para descontextualizá-los e facilitar o engano. Outra coisa que é comum é um artigo antigo ser veiculado novamente, com algum novo contexto que facilite a viralização. Nesses casos, vale checar a data da informação, caso ela exista.

5. Pedido enfático para repassar a mensagem. O Whatsapp é um antro de notícias falsas. Em geral, ao final da mensagem apocalíptica anunciando em primeira mão a prisão de algum presidente ou golpe de grandes empresas, é pedido que se divulgue a mensagem para todos terem conhecimento da “verdade”. Porém, não é só isso, sites de notícias falsas costumam ter uma experiência de usuário terrível, que focam em garantir seu like ou o seu compartilhamento. Então, se eles são invasivos e se desesperam pedindo o seu compartilhamento, pois o destino do mundo está em jogo, duvide.

6. Veja onde a notícia é veiculada. Como falei aqui no item anterior, o Whatsapp não é nenhuma agência de notícias e a credibilidade beira o zero, então, aquelas mensagens enormes com notícias apocalípticas provavelmente podem ser ignoradas logo de cara. Mas vale checar também o site ou blog onde ele pode estar. Uma notícia falsa tem mais chances de estar no blog do Serginho do que no G1 (ainda que eles também tenham seus deslizes).

7. Erros de português: claro, ninguém aqui precisa ser o professor Pasquale, mas notícias falsas têm bem menos cuidado com os detalhes e vêm cheias de erros de português e erros de digitação. Quando isso salta aos olhos além de um ou dois erros num mesmo artigo, pode levantar a bandeira amarela.

8. Adjetivos demais são um alerta. Um artigo que usa de muitos adjetivos para exaltar ou difamar uma pessoa, em geral, está defendendo algo e isso pode colocar a credibilidade da publicação em cheque. Vale uma bandeira amarela.


Agora que você já aprendeu a identificar algumas características de notícias falsas, vamos colocar a mão na massa e pensar em algumas ações a tomar. Nem sempre elas são tão intuitivas quanto parecem ser, por isso, lá vai:

1. Respire

É essencial deixar a ingenuidade de lado e perceber que sem o arrastamento emocional e a ansiedade de fazer algo a respeito, essas notícias perdem bastante do poder.

Por isso, tente não se deixar levar pela emoção e urgência, respire, acalme-se.

2. Leia mais que o título

Novamente, essa instrução parece óbvia, mas de acordo com um estudo conduzido por cientistas da computação da Universidade de Columbia e do Instituto Nacional Francês, 59% dos links compartilhados em redes sociais nunca são clicados. Ou, em outras palavras: a maioria das pessoas, aparentemente, passa notícias para a frente sem nem sequer ler o conteúdo.

A instrução aqui é simples, saiba que o compartilhamento, por mais inocente que possa parecer, está moldando nossa agenda cultural, política, econômica, e pode ser tão influente ao ponto de levar uma ou mais pessoas à morte. Leia, aprofunde-se minimamente, saiba o que você está fazendo.

3. Faça o cruzamento de fontes

Dê um Google rápido e veja por onde a notícia circulou.

Notícias falsas podem ser publicadas em um blog pequeno ou em vários, mas dificilmente saem em um portal maior, com uma equipe preparada. Claro, há exceções, mas é importante estar atento que, se um grande veículo não quis dar a notícia, pode ser que ela nem sequer seja verdadeira.

4. Busque a fonte original

Em uma tentativa de dar ares de verdade às suas notícias falsas, esses sites fazem uso de instituições e nomes famosos (ou que lembrem remetam a algo que você vai confiar).

O Google é seu amigo, faça uma busca e veja se essa instituição fala alguma coisa a respeito da notícia. Em geral, eles mencionam o fato em algum lugar. Se não o fazem, mais um sinal vermelho.

5. Faça uma busca reversa da imagem

Ainda como uma forma de adicionar veracidade às falsas notícias, é normal vermos alguma ilustração bem contundente, especialmente se ela vai deixar você mais revoltado ou comovido.

Não é bem uma tarefa fácil, mas é importante se ligar se não trata-se de uma montagem ou imagem removida de seu contexto.

Nesses casos, vale fazer uma busca reversa pela imagem, para saber mais informações. Basta acessar a busca de imagens do Google. Então, clique no ícone de câmera dentro do campo de busca e transfira a imagem que gostaria de pesquisar.

6. Cheque sites como E-farsas e Boatos.org

Aqui no Brasil temos o E-farsas e o Boatos.org, que fazem um ótimo trabalho checando boatos e notícias falsas. Vale dar uma olhada por lá, pra ver se eles já não falaram a respeito antes.

7. Cuidado redobrado em tragédias e situações de grande comoção

Quando acontecem grandes tragédias, é normal as pessoas ficarem emocionalmente afetadas. Mas quando elas acontecem, em geral, boatos voam e as pessoas acabam compartilhando indiscriminadamente imagens e notícias que podem, por exemplo, piorar ainda mais a situação de familiares e pessoas envolvidas.

Além disso, esses veículos de notícias falsas se aproveitam do momento de fragilidade para angariar acessos. Vale manter o alerta ligado.

8. Na dúvida, não compartilhe

É muito comum vermos parentes ou amigos enviando um boato, talvez até suspeitando da falsidade da informação, mas com receio de que alguém saia prejudicado por não saber daquilo. “Ah, na dúvida, estou compartilhando”.

Porém, as notícias falsas têm seu lucro em sua mera exposição. É muito difícil desfazer o estrago uma vez que a informação incorreta ou caluniosa já foi espalhada.

Por isso, sugiro fazer o contrário. Na dúvida, não compartilhe.


Nota: esse texto foi publicado originalmente no PapodeHomem.

Pequeno review sem spoilers de Rogue One: Uma história Star Wars


Olha, eu sou fã de Star Wars, já li de tudo a respeito. Claro, isso não faz de mim nenhuma autoridade no assunto, mas como consumidor da franquia, uma coisa que me incomodava no universo expandido, mesmo o que era vendida como continuação oficial, é o fato de que quase tudo que não era a trilogia original tinha uma cara de fanfic. Dava pra ver que tinham pontas sobrando, que apesar de algumas ideias serem muito boas, aquilo não estava à altura.

A Trilogia Thrawn, por exemplo, antes da Disney meter a cara em seguir a história dos Skywalker, era tida como a continuação que os fãs queriam. Foi sucesso de vendas e preenchia esse vazio. Mas, na minha humilde opinião, eu não sentia que as palavras que saiam da boca dos personagens era o que eles diriam. Não parecia legítimo.

Em alguma medida, as prequelas, ainda que sejam cânone, também soam assim pra mim. Sem querer entrar no mérito de descer o cacete nos episódios I-II-III, como parece que virou moda, o que mais me deixa com a sensação de estar comendo uva passa é o fato de que a história não está bem contada. As falas são ruins, há muito sendo dito, quando podia ser só mostrado. Quase não há espaço para a atuação do espectador, para que ele possa processar as informações e sentir dentro de si as emoções correspondentes ao drama de Anakin Skywalker.

Não que isso seja um mal exclusivo das prequelas ou da franquia de Star Wars. Na verdade, isso acontece com Hollywood de um modo geral e vem se tornando mais pronunciado à medida que o template da jornada do herói é executado de maneira literal e apressada. O cinema está cheio de filmes com escrita pobre.

Rogue One, por outro lado, tem um mérito bem interessante, que é o de colocar você dentro do universo de Star Wars sem parecer um daqueles jogos de videogame meio deslocados que a gente vê por aí. Pelo contrário, ele é palpável, realmente está situado em um determinado tempo e contexto. Alguém ali fez muito bem o dever de casa. É um trabalho muitíssimo bem polido.

Tem um ou outro elemento que pode desagradar os mais chatos, mas esse é um filme bem feito, escrito de forma rica. Aliás, muito bem escrito, sem deixar óbvio o que não precisa. Não é um filme que acha que você é burro. Quem conhece o universo expandido tem bastante conteúdo rolando no background pra se divertir e se situar. Quem não conhece certamente não vai se perder, por que o que é importante é devidamente explicado e o que não é fica lá de pano de fundo e tudo bem. Do jeito que tem que ser.

Ainda é muito cedo pra entrar em detalhes, mas o começo do filme já dá o tom, e ao longo da história, Rogue One faz você perceber o Império como o grupo de nazi-fascistas extremamente militarizados que são (é maluco, meio irônico, que Star Wars esteja voltando e retratando isso justo nessa época meio 1938 que a gente tá vivendo).

Ah, e ainda tira um pouco a aura heroica quase-infantil da Aliança Rebelde. Finalmente você pode ver que há muitas graduações na luta contra o Império.

Achei que um personagem (que ainda não é o momento de falar) tem pouco tempo de filme e a participação acabou ficando meio solta, apesar do imenso potencial filosófico e místico que ele tinha.

Mas essa é uma falha pequena pra um filme que se posiciona em um lugar bem mais escuro que o usual de Star Wars, num tom que o aproxima bastante do Império Contra-Ataca, ainda assim sem o desserviço de tentar ser um filme da trilogia original.

Rogue One é outra coisa e está bem com isso.

Valeu muito a pena, amigos. Assistam. Eu mesmo vou assistir de novo.

Quando você fracassa


Às vezes eu queria poder voltar no tempo e ter altos papos comigo mesmo.

Hoje, minha timeline fala bastante sobre o ENEM. Claro, como sempre, tem de tudo.

Fico feliz que uma boa parcela dos posts sejam de gente que compreende as várias camadas e sutilezas de um desastre no vestibular.

No entanto, os que mais me chamam atenção, por aversão, são os que gostam de apontar o dedo sobre os que vão mal nas provas, e fazem discursos enfurecidos sobre como eles deveriam ter estudado muito mais e são pessoas piores por terem perdido um ano da vida em pura vadiagem (numa versão vestibularesca do Datena).

E sempre temos aqueles que dizem sentir prazer em rir da tragédias dos que se atrasam e choram desesperados.

O pior é que eu consigo entender de verdade, de coração, quem faz isso. Eu já fui essa pessoa, inclusive, quando era eu quem estava mandando mal nessas provações da vida.

Aliás, viver nesse mundo, fazer parte dele e pensar assim é a pior coisa que pode acontecer quando você passa pela experiência de mandar mal em algo que todo mundo espera de você o contrário. Afinal, não são só os dedos dos outros apontando, mas o seu próprio julgamento que pesa mais que um vagão do trem da linha vermelha do metrô às 18hrs.

Você se imagina sendo o assunto da família nas próximas reuniões. Enxerga aquele seu tio meio bonachão que gosta de falar mal de vagabundo — e antes parecia tão engraçado — agora disparando verbalmente contra você. Dá pra ver a cara de decepção da sua mãe, seu pai esperando aquela boa notícia e se frustrando e, acima de tudo, você perdendo toda e qualquer chance de se destacar e sair da linha daqueles que vão passar o resto da vida lutando pra ter o que comer.


O mundo não é um lugar fácil. De fato, muita gente que não consegue passar pelo grande filtro do ENEM dificilmente vai ter outra chance de saída das condições duras em que vive.

Mas nem só de vestibular vive o mundo.

Se eu tivesse que dizer pra mim mesmo uma só coisa hoje, quando fiz o vestibular pela primeira vez e não passei, seria: cara, aprenda a falhar e seguir em frente com isso. Fracassar é completamente normal.

É uma bosta? Você se sente horrível consigo mesmo? Com certeza. Porém, a maioria dos fracassos, ainda assim, são como vírgulas, batidas secas de bumbo, buracos na estrada, pneus furados. Essas dores passam e logo você está pronto pra outra.

Eu sei, é humilhante quando você vê essas pessoas rindo de gente como você. É um inferno.

Então, Luciano de ontem, da próxima vez que se ver em crise por causa de algo que fez e foi horrível, lembre-se: não é o fim do mundo.

E, por favor, ensine isso pro Luciano de hoje. Ele sempre precisa.

Toda burrice será castigada

Hoje eu acordei cedo, com uma missão: trocar a lâmpada do quarto.

Já estava feliz, por ter acordado cedo, afinal, o dia ia render, bastava me livrar dessa tarefa e ia poder tocar violão, jogar alguma coisa, cozinhar, dar um rolê de bike.

Assim, me dirigi à loja de materiais de construção.

Quem me atendeu foi uma senhora de uns 70 anos, baixinha, um tanto apressada, mas simpática. Pedi duas lâmpadas iguais às que eu tinha levado. Depois, pedi pra ela descartar as antigas e voltei pra casa. Retirei as coberturas da luminária, removi os dois tubos (desses antigos, ainda fluorescentes), meio difíceis de desencaixar e coloquei as duas lâmpadas.

Apertei o interruptor. Ao invés da mágica que normalmente acontece, o que rolou foi só uma breve e murcha acendidinha de nada.

Deve ser o reator.

Aqui vale um parêntese. Eu me cago de medo de mexer em fiação e já praguejei muito contra as forças da natureza que geram eletricidade.

Mas não tem jeito, vou ter que trocar o reator eu mesmo ou chamar um eletricista. Vou perguntar, né, só ver quanto é.

150 chutes no saco.

Nem fodendo eu vou pagar 150 reais pra trocar uma lâmpada.

Tirei uma foto do reator antigo e levei lá na mesma loja. A senhorinha que tinha me atendido antes me conduziu a um cara, a quem mostrei a foto e ele me trouxe um reator de lá.

Chegando em casa, desliguei a energia da casa inteira em puro cagaço e desmontei o esquema antigo, cortando os fios. Na hora de desembalar o novo, o esquema de fiação era diferente. Entrei no modo gambiarra e resolvi tentar fazer funcionar, só que os fios eram muito pequenos. Tive que voltar na loja. Chegando lá, só tinha rolo de 10 metros do tal fio. No way.

Por acaso, um estagiário colou em mim e me disse que tinha outro tipo de reator, igual ao primeiro que eu tinha pedido (que o cara e a senhora me venderam errados, por preguiça). Puto da vida, mas aliviado, voltei pra casa. Montei tudo, agora sem grandes dificuldades. Mas quando apertei de novo o interruptor, zero sinal de vida.

Bufei. Mas não desisti.

Comecei a refazer todas as ligações, uma por uma. Uma ponta azul, outra vermelha, duas pontas vermelhas, duas azuis, dois fios em cada lado, só um fio, testa na tomada… nada. De novo. Uma ponta azul, outra vermelha, duas pontas vermelhas, duas azuis, dois fios em cada lado, só um fio, testa na tomada… nada.

Até que, de repente, notei que tinha uma falha na pintura de uma das lâmpadas que mostrava, na parte interna, que ela estava queimada.

Sim, desde o começo, comprei uma lâmpada queimada.

É foda ser burro.

Um breve pedido de desculpas e a retomada da rota

Nunca falei com vocês sobre o que venho fazendo e sobre meu sumiço em tempos recentes. Então, aqui vai.

Pra quem estiver com preguiça: Notei que eu cheguei por aqui, vim postando coisas mas nunca falei com vocês. Esse não é bem um texto elaborado, com algum conteúdo lá muito útil.

Porém, comecei a achar importante abrir a conversa um pouco.

Se você acha que esse tipo de papo é perda de tempo, pode pular fora e voltar terça que vem, quando retomamos a programação normal.


Olá, pessoal!

Faz um tempinho que comecei a escrever “independentemente”, meio como um hobby, meio como uma resolução de ano novo, pra sentir novos ares. De lá pra cá, passaram-se alguns meses, postei de forma irregular, quando me dava na telha, depois me empolguei e me propus a escrever semanalmente.

Porém, nos últimos tempos, eu dei uma pausa nas publicações. Como sabem, a vida é louca, cheia de altos e baixos e, se tem algo que ela sabe fazer muito bem, é zoar com os nossos planos. Então, alguém mais atento talvez tenha notado que minha última publicação foi em 21 de setembro. Ou seja, há um pouco mais de um mês.

Péssimo, uma bosta. Eu entrei num fluxo louco de trabalho e não consegui manter o ritmo com nenhuma das minhas tarefas paralelas, seja continuar o meu EP ou seguir com as publicações aqui.

Casualmente, entrei no meu Medium pra olhar as estatísticas e ver de que forma os acessos por aqui caíram e fiquei muito feliz por ver que, ainda que os acessos tenham entrado em declínio em relação a quando eu estava mais frequente, eles seguiram de forma mais ou menos consistente. Além disso, o número de seguidores também continuou crescendo linearmente.

Eu fiquei bem impressionado, pois nunca divulguei em nenhum lugar, a não ser nas minhas redes sociais e uma ou outra republicação no PapodeHomem e, mesmo assim, hoje já tem mais de 1,2k pessoas me seguindo por aqui. Obrigado por isso!

Eu raramente comento ou me manifesto sobre esse tema, mas fico muitíssimo feliz sempre que recebo alguma mensagem ou comentário dizendo que o texto foi útil. É daquelas coisas que aquecem o coração e dão energia pra continuar.

E ver que há um interesse consistente nos textos é algo que me anima bastante.

Recentemente, voltei a estudar música, compor e escrever textos. Coisa que só é possível quando há algum respiro na rotina.

Esse breve “pronunciamento oficial” é pra dizer que semana que vem vai ter texto de novo. E que meu EP já está pronto, apesar de travado com umas burocracias bestas (mas ainda assim, coisa legal. Se alguém tiver interesse em saber como funciona esse tipo de coisa, me avisa, que posso escrever algo a respeito).

É basicamente isso. A partir da semana que vem pretendo retomar as publicações às terças aqui no Medium e quartas no PdH.

E queria abrir minha dificuldade no momento: encontrar pautas úteis. Eu sempre passo muito mais tempo pensando sobre o que escrever do que realmente escrevendo.

Então, quem quiser ler sobre algo que achar que eu posso contribuir, estamos sempre abertos a sugestões. Aliás, eu preciso disso pra seguir.

Abraço e agradeço, de coração, pela força.

Ainda há esperança fora da timeline

Hoje estava eu pedalando pro trabalho, como de praxe, dessa vez indo pelos sobe-e-desce da ciclofaixa da João Ramalho. Por acaso, a via estava bastante movimentada, muita gente, pra lá e pra cá, utilizando a bicicleta do Itaú e também com as próprias bikes.

Parando em um semáforo, um senhor gordão, de voz grave e bastante alta, daqueles que sentam no final da tarde em boteco de bairro e gritam, reclamando dos crimes que aparecem no Datena, falou comigo.

“Essa porra desse prefeito botou essa ciclovia, mas essa porra é uma mão na roda, né?”

Desse exato jeito, “porra” como vírgula.

Pelo jeito que ele falou, pensei que ele tava reclamando, brigando ou sei lá. Precisei conter a revolta inicial pra entender que, na verdade, era um elogio.

“Me dá uma raiva que esse pessoal reclama sem saber que estão implantando uma porra dum hábito saudável pra caramba.”

Pois é, né?

Ele se despediu e acelerou o carro.

Eu voltei à minha pedalada, feliz por ver que no mundo lá fora, para além dessa timeline turbulenta aqui, nem tudo está perdido.

Viver é mais importante que ser produtivo


Aquele dia foi foda.

Dor de cabeça, olhos vermelhos fixados em frente à tela do computador. Telefone tocando. Muitas mensagens de Whatsapp pedindo coisas.

De repente, olho pra tela e não consigo mais pensar. Dói a dignidade. Dá vontade de virar a mesa e mandar o chefe fazer coisas que não podem aparecer na novela.


Pintou um convite pra assistir uma apresentação de jazz em uma dessas portinhas mágicas da Vila Madalena, nas quais você entra e com a quantidade certa de long necks, consegue esquecer que deixou em casa uma pilha enorme de tarefas pra matar.

Mas eu preciso trabalhar.

Perdi o show. Fiquei triste. Não consegui fazer o trabalho. Capotei, derrotado, e amanheci o outro dia.

Uma semana depois. Hoje, no caso.

Acabei de pegar a bicicleta pra dar uma volta pela cidade.

18 quilômetros em mais ou menos uma hora.

As ruas estão lotadas, bastante gente apressada, se espremendo nos ônibus ou nos carros, tentando chegar um minuto mais cedo para enfim jogar o peso do mundo no chão, deitar e ter algumas horas de alívio até começar de novo.

Eu sou igualzinho. Mas… E as contas? E o medo de ser demitido? Eu preciso disso.

Uma hora atrás eu estava sofrendo.

O que fazer pra gente se sentir um pouquinho mais leve, pra tirar a sensação desesperadora ao acordar de que “meu deus, vai começar tudo de novo”?

A gente consome páginas e mais páginas de textos e livros tentando ser mais produtivo, por medo de ser demitido ou tentando se destacar um pouquinho, pra se sentir especial, empoderado. Será que vale mesmo a pena tudo isso pra, no final do dia, estar tão esgotado que até a vontade de viver some?

Que meu chefe não me leia, mas largar o que eu precisava fazer foi libertador.

Agora, me sinto novo. Inspirado. Até estou escrevendo esse texto.

É verdade, nem todo mundo pode se dar ao luxo de escolher quando pode ou não trabalhar. Época de crise, o país está uma loucura, tem gente ficando desempregada todo dia. Sua amiga, sua mãe, sua tia (ou as versões masculinas dessas conexões) infelizmente, a gente ouve essas histórias. Não está fácil.

Sim, há milhões de ressalvas a serem feitas. Tem gente que não vai comer se não der duro. Também é importante ter isso bem claro.

Mas se você está trabalhando em algo pessoal, ou num projeto com um cliente minimamente flexível, de repente, vale fazer uma ligação e pedir pra entregar amanhã.

Eu sei que eu mesmo trabalho demais e provavelmente não tenho a menor autoridade pra falar isso. Mas nem que seja um lembrete pra mim mesmo, aí vai: talvez, nem adiante ficar se debatendo, deixando de fazer uso da sua liberdade de ir e vir, de viver e aproveitar seu limitadíssimo tempo na terra, enquanto a vida lá fora acontece e seus filhos crescem, seus pais envelhecem, seus amigos se distanciam e sua juventude acaba.

Esse lembrete é importante.

É que às vezes a gente se esquece que viver é mais importante que ser produtivo.