E se eu morrer de COVID-19?

O novo Coronavírus é como uma sombra que se aproxima lentamente e que pode nos alcançar a qualquer momento.

Nota do autor: Vocês, aqui no Medium, são as pessoas mais engajadas no meu conteúdo. Por isso, queria fazer um anúncio. Daqui pra frente vou começar a produzir vídeos e postar no meu canal de Youtube. Vocês podem se inscrever por aqui. O apoio de vocês é importantíssimo e eu não sei como poderia agradecer o suficiente.

Sempre que fizer sentido, pretendo postar aqui o vídeo e uma transcrição adaptada para funcionar como texto. Mas, claro, quero também ouvir a opinião de vocês. Faz sentido? Aguardo o feedback nos comentários.


Olá, aqui é o Luri.

É impossível andar pelas ruas e não notar que algo está diferente.

É impossível ligar a TV, entrar no Instagram ou ler a timeline do Twitter sem sentir a presença de um certo assunto.

Acompanhando as notícias, só vemos os números aumentando cada vez mais rápido. Cerca de 15 dias atrás, era 1 milhão de casos. Agora, já são mais de 2 milhões e não pára de subir em direção à estratosfera.

No Brasil, o mesmo acontece, com o agravante de termos uma disputa ideológica e política que impede ações coordenadas de acontecerem. Nosso governo até já recebeu o indesejável primeiro lugar no ranking de piores reações à pandemia.

Apesar de provavelmente ser por causa da subnotificação, até o nosso índice de mortalidade é anormal, batendo ali a casa dos 6% e crescendo.

A COVID-19 é como uma sombra que se aproxima lentamente e vai nos envolvendo, até nos colocar em um estado de escuridão longa e profunda.

O que me traz à reflexão desse vídeo.

6% é muito!

Não é apenas um número.

É a possibilidade real de que, muito em breve, essas mortes terão nome, sobrenome e endereço. Você e eu vamos ter memórias com as pessoas que morrerão de COVID-19. Podem ser nossos tios, avós, pais.

E, apesar de, sim, o maior número de mortes ser de pessoas idosas, é imprevisível a forma como a doença pode se desenvolver. 50% dos casos graves no Brasil são de pessoas jovens. A COVID-19 deixa sequelas e, diante do cenário de falta de leitos e hospitais lotados, não é exagero dizer que os nossos colegas, primos e amigos também podem morrer. Você e eu podemos morrer.

Agora, eu me pego pensando nisso.

E se eu morrer de COVID-19?

É claro que a gente sempre pode morrer a qualquer momento.

Mas o que eu fiz até aqui?

Será que eu abracei os meus amigos o suficiente? Será que eles sabem o quanto são importantes? Será que a gente jogou conversa fora o bastante? Será que a gente ficou à toa juntos o bastante?

Será que a minha mãe sabe o quanto sou grato por tudo que ela fez pra que eu tenha alguma chance nesse mundo tão maluco?

Será que valeu a pena manter todas briguinhas e rancores e os ranços que eu venho mantendo?

Será que eu fiz mais bem do que mal?

Eu fiz tudo o que podia?

Não sei, provavelmente, não.

Parece que foi preciso um evento de proporções mundiais pra me alertar, pra que eu refletisse sobre o que eu realmente valorizo nessa vida. Ver que essa sombra pode me alcançar a qualquer momento é assustador, mas também pode ser motivador. Afinal, se o meu tempo pode ser abreviado, talvez seja a hora de me mexer, não num sentido capitalista de “vamos lá, trabalhe com propósito, faça o que você ama”, mas de tentar entender o que é realmente importante.

Talvez, seja a hora de dar um significado a essa vida. Mesmo que seja mandar um abraço virtual pra um amigo ou parente. Desejar feliz aniversário. Mostrar que, apesar de não estar ali, fisicamente, eu estou ali.

Enquanto não dá pra sentir o sol tomando uma cerveja na praia lotada, ou sair beijando pessoas suadas no bloco de carnaval, ou curtir um barzinho com os amigos, pelo menos, podemos nos acolher na coletividade da nossa solidão.

Lá, nas esferas do poder, eles falam sobre a economia e lançam que as pessoas vão morrer, “paciência”. Eu não quero morrer pra eles apresentarem um powerpoint feio com números melhores.

Eu quero viver, pra fazer tudo diferente do que vinha fazendo. Mas também pra fazer as mesmas coisas de antes. Porque a vida não vale a pena só quando rolam esses eventos extraordinários, mas principalmente pelo conjunto de eventos mundanos, comuns, que se sucedem dia após dia e vão se enfileirando no fundo da nossa memória. A vida vale a pena pra gente viver de verdade, não só pra enriquecer o patrão, consumindo as melhores horas do nosso dia riscando mil tarefas.

Se eu morrer de COVID-19, morro comum, bem comum, feliz e grato.

E deixo com essas palavras, a esperança de que, vocês que ficam, possam criar um mundo onde nem por um segundo faça sentido perguntar o que vem primeiro, se a vida e o bem-estar das pessoas ou os números numa planilha. Deixo a esperança de que vocês possam viver sem se preocupar com a saúde dos seus parentes e amigos. E também, que vocês possam ser felizes, do jeito que fizer sentido pra vocês. Do jeito que fizer o coração de vocês bater empolgado pelo que vem.

E se eu não morrer, então, que a gente possa construir tudo isso juntos.


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O que aprendi em 10 anos guardando rancor


Minha história começa com o fim de uma relação.

“Por volta dos dez anos de idade, meu pai levou minha mãe, meu irmão e eu em uma longa viagem de carro por aproximadamente 2000 Km, de Anápolis até Belém, onde nos deixou na casa da nossa avó materna dizendo que retornaria em breve.

Deu um beijo em mim e no meu irmão, falou algo com a minha mãe, entrou no carro, deu a partida e nunca mais voltou.

Eu, como muitos homens, carrego em minha história a marca de um abandono parental.”

Assim descrevi em um outro artigo a forma como meu pai deixou minha mãe, meu irmão e eu.

Como é de se esperar, tenho um longo histórico de rusgas, ressentimentos, mágoa e rancor com o meu pai, seja pelas mentiras, promessas não cumpridas ou pelo desaparecimento constantemente seguido por desculpas das mais furadas. Até que chegou ao ponto no qual senti que era melhor me afastar por completo.

Eu fui tão longe nisso que, quando recentemente me perguntaram sobre ele, de repente, percebi que passaram-se dez anos desde a última vez que falei com ele de maneira apropriada. Pessoalmente, então, calculo que não nos vemos há uns 18 anos.

Durante muito tempo, me neguei a admitir que eu tinha algo incompleto, manco. Meu processo me levou, no entanto, a uma condição na qual se tornou impossível fazer vista grossa pra esse fato.

Cada vez mais, comecei a notar com clareza bloqueios que me remetiam a interações com ele. Relacionamentos frustrados, tanto amorosos quanto de amizade, por evitar aprofundamento e autoexposição. Uma profunda ansiedade quanto a aceitar ajuda (juro, às vezes eu me sinto ofendido se alguém tenta me dar um presente). Reações desproporcionais quanto a promessas não-cumpridas. Dificuldade de entrega, de confiar, de fluir.

E eu nem mencionei o quanto de raiva me trazia quando alguém mencionava ou perguntava por ele ao meu redor.

Por mais que eu me negasse a admitir a importância, lá estava ele, em cada momento que me perguntavam. A cada vez que eu me via precisando lidar com as dificuldades ocasionadas pela ausência.

Não sei se cabe em um artigo como esse o tamanho das marcas não planejadas que ficaram.

Pra mim, ele não existia, mas o espaço mental que ele ocupava era enorme.

Assim, em meio a uma crise que envolveu burnout, depressão e a consciência sobre o quanto esse estado constante de vigilância e solidão me trouxe de ansiedade, conversas sobre isso começaram a surgir, tanto com amigos, quanto com a minha namorada, quanto com o psicólogo.

Apenas bem recentemente, decidi que era o momento de dar um basta. Era a hora de entrar em contato e dizer tudo o que eu sentia, tirar de mim.

Em princípio, minha ideia era esculachar. Arremessar palavras com o máximo de força, falando sobre o dano que ele tinha gerado em mim. Mas, no final, optei por outro caminho.

Consegui o número dele e mandei uma mensagem simples e curta, dizendo que me abria pra esse contato.

Não foi fácil. Estava há uns 20 dias às voltas com essa ideia.

E, pra ser bem sincero, não sei se o perdoei. Provavelmente não.

Não esqueci o que aconteceu e meu coração ainda arde de raiva quando começo a relembrar as mentiras, manipulações e omissões.

Mas decidi que era melhor mudar o foco de perdoar para não culpar. Sei que é um subterfúgio, um golpe mental meu pra passar por cima de tudo. Mas sinto que, dessa forma, não traio as minhas crenças e nem desrespeito esse lado que sofreu muito pelas consequências das ações dele. Assim, posso ir além disso, deixando essa mágoa pra trás e tentando construir uma nova história.

A resposta à minha mensagem me surpreendeu. Ele disse que sofria com nosso afastamento e, ao se deparar com algumas palavras duras minhas, não justificou, apenas acatou e disse que se eu quisesse, ele aceitaria estar mais próximo.

Parte de mim queria uma espécie de DR ou que ele tivesse retrucado e inventado mais desculpas, pra que eu pudesse explodir de raiva e tivesse uma briga como mais um motivo pelo qual eu prefiro estar distante. Mas não foi assim. Na verdade, ele foi bastante simpático e acolhedor.

Sei que ele não vai se tornar, magicamente, o pai dos meus sonhos. Aliás, eu nem quero. Parte desse movimento vem de querer ver tudo isso com os olhos de um adulto, sem fantasias infantis.

Se tem algo que posso compartilhar como lição nesse processo, é que a gente pode virar a cara pra parede e ficar lá, mas isso não muda o fato de que a mágoa vai se tornando uma espécie de balão e vai inflando, ocupando um espaço cada vez maior.

Depois de um certo tempo, você se vê tendo que se esforçar pra manter aquela situação, seja recusando convites nos quais você sabe que a pessoa vai estar, seja ignorando quando a mencionam em alguma conversa, seja negando pra si mesmo que está pensando no assunto.

Eu, honestamente, não posso falar por ninguém. Essa é a minha experiência. Mas, pelo menos no meu caso, me colocar em condição de remover essa barreira, mesmo sem resolver nada, foi como tirar o peso do mundo das costas. Eu, literalmente, terminei a conversa e fui dormir, exausto, como quem descansa depois de uma longa e difícil viagem.

De lá pra cá, entrei num ciclo de notar minhas tendências rancorosas e tenho tentado reduzir esse tipo de entulho mental em outras relações também.

Às vezes, não é tanto pelo que o outro fez, nem mesmo é sobre ter compensação. Tem coisas que não dá pra compensar.

Meu pai, por exemplo, nunca vai viver comigo esses anos que passaram. Ele nunca vai estar comigo nos momentos que eu precisei dele no período da minha formação. Eu tenho consciência disso.

Não existe mágica, claro, e cada um tem um jeito de encarar e de lidar com seus traumas do passado. Mas, no meu caso, é um alívio abandonar a parte que segurava essa situação.

Acho que finalmente posso seguir mais leve na caminhada, deixando pra trás expectativas de como as coisas deveriam ser e começar a aceitar e acolher como elas de fato são.

Agora, tenho novos passos a cumprir. É hora de comprar uma passagem e ir até lá, conhecer o homem e não o pai que abandonou uma criança.

* * *

Nota: A imagem que ilustra esse texto é do filme “Sete minutos depois da meia-noite”, recomendo demais.


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Da importância de estar em contato com a bondade | Diário Criativo #03


Mais do que nunca, estamos soterrados por informação do pior tipo.

O tempo inteiro reforçam o que há de pior nas pessoas e constroem uma realidade na qual a guerra, a fome, o crime e a maldade pura são a regra. Ficamos apavorados, acreditando que devemos nos esconder atrás de muros e câmeras e que a única forma de transitar pelo mundo é enfurnado em uma lata com rodas, separados de qualquer toque da terra ou de outras pessoas.

Não me assusta que estejamos, enquanto sociedade, caindo doentes, depressivos e ansiosos.

Nós somos humanos, não fomos feitos pra ter contato ininterrupto com muita maldade. Adoecemos quando mergulhamos nisso da mesma forma que não conseguimos sobreviver submersos na lama.

Precisamos nos lembrar constantemente do nosso verdadeiro potencial ou somos arrastados pelo tsunami de notícias que reforça o lado perverso do ser humano. Nós não somos isso, ainda que possa parecer quando constantemente repetem essa mensagem.

É importante procurar por beleza, bondade, compaixão e amor. É essencial estarmos em contato com a natureza e reconhecer o equilíbrio, a harmonia expressa na energia que envolve e permeia cada grão de areia, cada folha de árvore, cada pequeno animal. Assim, conseguimos encontrar um tipo de cura que não está ao alcance de nenhum medicamento.

A dor e o sofrimento existem, claro, e não devemos esquecer dele. Porém, precisamos pensar em qual paisagem mental estamos construindo, dia após dia, minuto a minuto, por meio de tudo o que vemos e ouvimos, sob o risco de nos envenenarmos lentamente até esquecermos que também somos capazes de doar, de amar e de nos sacrificar por aquilo que é maior do que nós mesmos.

É importante também gerarmos beleza, espalhá-la pelo mundo para que seja uma expressão dessa grandeza que todos nós temos. Quando damos afeto, cuidamos de um jardim ou cozinhamos algo pra quem amamos, isso também é uma forma de colorir a realidade com tons vibrantes.

Quando falamos do que está na essência, o coração responde. Ele pede por mais, como se estivesse tentando se nutrir de algo que precisa para ser saudável.

Precisamos escrever e falar sobre o que as pessoas do nosso convívio estão fazendo para tornar o mundo melhor, inspirar, emanar outras frequências que não apenas o alarmismo barato pra gerar cliques e vender anúncios.

Do contrário, vamos nos esquecer da verdadeira natureza humana, que é ampla como o céu, infinitamente capaz de obras maravilhosas, feitas para nos conectar e aquecer.

Em tempos como os nossos, talvez precisemos mesmo disso. Mais harmonia, amor, equilíbrio. Que busquemos aquilo que ressoa, preenche e inspira.


O Diário Criativo é uma série de textos sobre meu processo criativo enquanto músico e escritor.


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Tentando sair das prisões do pensamento | Diário Criativo #02


Há umas 3 semanas fui até São Paulo e, na volta, acabei não conseguindo restabelecer o mesmo ritmo de criação. Por algum motivo, a energia baixou bastante e eu saí do fluxo, batendo direto em uma muralha.

Tenho a impressão de que esse tipo de bloqueio se dá não apenas por falta de uma busca mais profunda, mas também quando o cérebro está sem ingredientes pra bater no liquidificador da mente. Além disso, acho que tem a ver com um esgotamento dos processos atuais.

Então, como forma de me estimular, tenho assistido alguns materiais sobre criatividade e obras que admiro, sejam games, música ou filmes.

Esse final de semana, decidi assistir um documentário na Netflix, Como o Cérebro Cria.

Um trecho sobre a forma como a criatividade traz de volta aspectos humanos de pertencimento a prisioneiros nos EUA me tocou bastante. Além disso, me senti muito estimulado por ver outros artistas incríveis fugindo das suas próprias caixas e começando a pensar em novas maneiras de fazerem seus trabalhos.

Também vi um minidocumentário sobre Legend Of Zelda: Ocarina Of Time, que conta como ele é, na verdade, uma aula de subtexto e o mais triste Zelda de todos.

Eu achei realmente incrível e fiquei bastante tocado pelos trechos que falam sobre amadurecer e sobre o contato com a natureza, toda a forma como as metáforas foram construídas e como os elementos ali presentes se relacionam.

Ando bastante tocado sobre essa questão do contato com os aspectos selvagens do ser humano e, de alguma maneira, ver essa construção narrativa toda mexeu bastante comigo.

E, agora, vi também um minidocumentário sobre Hayao Miyazaki, talvez o artista que mais me inspira por toda a sua dedicação ao seu ofício, olhar para o detalhe e também pela profundidade da sua obra. O nome é Never Ending Man, que o pega bem no momento quando ele disse que se aposentadoria e começa a trabalhar em seus projetos pessoais até, finalmente, retornar com o filme The Wind Rises. Vale assistir.

Ainda quero voltar aqui pra falar mais sobre esses materiais.


Hoje também consegui dedicar algumas horas a uma música que tem andado empacada. Até aqui, resolvi pegar alguns elementos de cúmbia, misturar com timbres eletrônicos e guitarra. Porém, não cheguei ainda a uma letra final.

A boa notícia é que hoje acho que, enfim, fechei um refrão que conversa com o que o instrumental me inspira e, com isso, tenho agora um tema pra canção.

Talvez, da próxima vez que sentar, consiga pensar nos versos definitivos.


Como parte da estratégia pra sair dos meus próprios limites, este final de semana fiz a primeira aula de canto preparatória pras gravações do meu disco. Essa parte sempre foi meu calcanhar de Aquiles e, apesar de me sentir bem mais confiante como cantor nos últimos tempos, acho que ainda não cheguei bem no nível que um passo como esse me pede.

Assim, resolvi sair do autodidatismo e decidi, de fato, tomar aulas.

Foi um encontro muito festivo com a professora, Lorena. A aula foi bastante proveitosa e ela já conseguiu arrancar de mim coisas que eu nem sabia que era capaz.

Fiquei bastante otimista para as próximas aulas.

Espero que isso se traduza em melhores performances.


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Preciso de um pouco mais do que resistência | Diário criativo #01


Tem dimensões das coisas que a gente não tem como conhecer e menos que mergulhe.

Já ouvi centenas, talvez milhares de discos durante a minha vida. Sempre sonhei em fazer o meu. Prometi algumas vezes que o faria e tantas outras comecei e depois parei. Talvez, por força da vida que, sábia e irredutível como só ela, acabou me colocando em circunstâncias que me frearam ou que mostraram a minha falta “do que precisa” naquele momento.

Agora, resolvi adotar o compromisso de efetivamente fazer um disco. Do zero, algo que represente de fato as transformações pelas quais venho passando nesse momento. Há tanta coisa pra dizer, mas ao mesmo tempo, há tantos bloqueios e receios a enfrentar.

Muitas vezes, nosso pior inimigo somos nós mesmos, que nos olhamos com uma severidade fora de qualquer parâmetro que projetemos nos outros. Pra nós, delegamos uma dureza, uma rigidez, uma cobrança que jamais direcionaríamos a outra pessoa.

Falta aquele amor, aquela compaixão, aquele carinho próprio.

Muitas vezes me vejo puxando uma bola de ferro de uma tonelada e eu, pequeno, em meio a tanta gente foda, falho em fazer meu caminho.

Tantas vezes olho pra mim e sinto falta de algo mais, de uma certa substância, de energia, de verdade. Então, eu sigo procurando.

Isso, essa busca, esse escavar, eu não tinha a verdadeira dimensão quando ouvia um disco, por mais incrível e bem produzido que parecesse. Mesmo a melhor equipe só pode trabalhar com algo que está lá, na matéria-prima bruta.

Ultimamente, tenho notado como o caminho da verdadeira honestidade é mais trabalhoso e tem seu próprio tempo. Então, sobra parar, recomeçar, desistir e recobrar a força minutos depois.

Continuidade.

Mas mais do que isso.

É preciso recobrar a alegria. Mesmo em tempos difíceis.

Ser positivo, estável, transbordar, quando tudo quer te desanimar, tirar seu foco e arremessá-lo numa rotina desumanizadora é, por si, viver seu potencial.

Resista. Floresça.


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O trabalho matou meu interesse pela vida

Ilustração: Bruno Mangyoku

Hoje é terça-feira. O óbvio diz que ontem foi segunda. E, desculpem minha necessidade de mencionar o óbvio, mas é que a obviedade dessa afirmação é essencial. Ontem foi segunda. E, nessa segunda, eu gostaria de ter morrido.

De alguma forma, é isso que vem acontecendo. Segunda após segunda, acordo pela manhã e meu celular está repleto de mensagens. O dia já começou para alguns dos meus colegas de trabalho. Eles, tão envolvidos com a própria missão, nem se apercebem que há algum tempo, cortaram até as cordialidades mínimas. Não sobrou espaço nem para um bom dia, pra perguntar como estamos, para uma conversinha mole, um gif engraçado, uma piadinha besta. Nada.

A primeira mensagem é para avisar sobre alguns pormenores da reunião que está chegando. Em seguida, uma chuva de cobranças e novas demandas. Algumas até previstas, mas o fato de ter isso arremessado sobre mim gera uma sensação de ser absolutamente insuficiente. Não sou capaz, jamais, de atender o que esse trabalho e essas pessoas me pedem.

A empresa onde trabalho tem um discurso de flexibilidade, de liberdade e leveza. Mas, na prática, há tanto a ser feito o tempo inteiro que eu jamais arriscaria tirar um dia ou uma tarde que seja pra usufruir dos tais benefícios que a empresa oferece. Tudo é tão urgente e necessário que, mesmo nos momentos nos quais me vi à beira de um colapso nervoso, preferi ter de lidar com o esgotamento a lidar com a culpa de respirar e depois ter de enfrentar o acúmulo de tarefas.

Assim, quando decido focar e produzir, muitas vezes me perco em procrastinação. Minha mente se tornou incapaz de produzir, pulando de aba em aba, de tarefa em tarefa. Não é raro me pegar olhando para o computador, alternando freneticamente entre páginas ou fixado em uma tela em branco sem que nada saísse. Já chorei assim.

Quando temos folga, aos finais de semana, passo os dias em estado de alerta, pensando no que deixou de ser feito e em como vou chegar segunda-feira e acordar com as mil mensagens de cobrança antes mesmo que o horário de trabalho comece.

Eu não consigo mais escrever. Não tenho vontade. Cansei de girar essa roda que não vai chegar a lugar algum.

Sinto que sequei. Parece que acabou.

Eu sentia muito prazer estudando, lendo, convertendo o que li em material para outras pessoas participarem comigo de uma conversa, mas agora, parece que a minha pilha está eternamente fraca e mesmo as tarefas mais simples me demandam um esforço gigantesco.

Sou músico também e a música é o que mais me dá alegria no mundo. Porém, escrever música se tornou uma tarefa impossível. Sempre me perco em tantos autojulgamentos, tenho tanta dificuldade em soltar algo que é difícil descrever, mesmo pra alguém que se autointitula escritor.

O que sobrou tem um brilho fraco, prestes a desaparecer. Ainda funcional, capaz de fazer o que precisa ser feito. Pra todos os efeitos, está tudo certo.

Mas a vontade de viver mesmo… essa foi já tem um tempo.

Hoje é terça. Meu trabalho matou meu interesse pela vida.


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O que o filme Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata pode nos ensinar sobre o governo…

Ontem assisti Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata na Netflix.

Que filme mais aconchegante, nossa!

Porém, o que mais me chamou atenção não foi o doce romance que vai se construindo pelas tabelas, nem a investigação que a personagem principal, Juliet termina por conduzir, nem mesmo toda a beleza da fotografia e a sutileza dos símbolos arremessados aqui e ali pra fazer a mensagem adentrar nossos corações.

O que mais me fisgou foi a exemplificação de como o autoritarismo vai nos privando até remover tudo o que consegue da nossa humanidade. Do direito à expressão e ao afeto, até à alimentação saudável e nutritiva. Para aqueles que tinham o desprivilégio de ver suas terras ocupadas pelo exército nazista, não sobrava nada. Ou você se calava e aceitava ou era enviado para aquele local onde você perdia até o nome e era escravizado, humilhado e, quando não sobrasse mais nada, morto.

Era isso que se fazia com todos que se colocassem no caminho dos interesses deles. Seja ativamente ou apenas como uma existência incômoda para aquela moralidade (masculinidade?) frágil e hipócrita.


No filme, uma mera reunião para um jantar acabou tornando-se a micro resistência do grupo e, mais tarde, virou uma questão de vida ou morte. Assim, os afetos, as dores, o fato deles se importarem uns com os outros e com aqueles ao redor os tornava alvos de punição.

Eu não consigo deixar de fazer paralelos com o momento em que vivemos. Vejo uma linha muito clara que nos conduz até ali. E a cada dia que fingimos não ver os índios mortos pelo interesse em suas terras, os LGBT cada vez mais invisibilizados, as mulheres sendo “colocadas no seu lugar”, as aposentadorias dos Zés e Marias sendo destruídas, os direitos humanos sendo vilanizados, parece que damos passos largos rumo a algo que em algum momento não vai ter volta e cuja saída vai ser difícil de achar.

O caminho do medo, do egoísmo, do preconceito e do ódio não termina em nada bonito. Mas só reclamar e apontar não adianta. A gente precisa se reunir, se organizar, ocupar os espaços políticos e privados, se fazer notar e movimentar o que pudermos. Eles estão correndo soltos e estão com pressa. A gente não pode deixar.

A história já mostrou muito bem onde isso pode chegar.


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O homem, o não-chorar e não-sorrir


Em algum momento da minha formação de adulto-homem, lembro claramente de duas coisas:

1) de ser dito que eu não devia chorar

2) de ser dito que eu não devia sorrir

Não chorar veio primeiro. Eu ainda era pequeno. Muitas e muitas vezes ouvi que homem que chora não é homem. É frouxo. Não aguenta. Espana. Passa vergonha.

Tá certo que o choro é multitarefa. Ele serve pra expressar a dor mas serve também pra transbordar de alegria. Mas a gente até se acostuma com a ordem, por que não é toda hora que dá vontade de chorar mesmo.

Já não sorria veio só depois de adulto. Veio junto com o trabalho, com a necessidade de impor respeito, de criar aquela carranca que dá medo. Eu não sei se sou muito bom nisso, confesso.

Mas sei que das duas coisas que aparentemente definem o homem, tanto o não-choro quanto o não-sorriso, definitivamente, o não-sorriso é a que eu acredito ser a que mais dói e mais mutila, pois uma vez que você não sorri, o tônus da musculatura do rosto vai perdendo rigidez e dá lugar a uma expressão triste, afundada, de quem perdeu o brilho e a alma.

Seu pai, seu tio ou mesmo o desconhecido do seu lado no ônibus agora. Olha direitinho ao redor aí. Não é difícil ver quem levou a sério essa ordem.

O pior, claro, vai ser se você tiver que ir até o espelho pra ver.


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