A carta cafona a quem sobreviveu a 2016

É, amigos, já está na hora do nossa querida e cafona retrospectiva 2016.

Esse ano foi de dar pesadelo.

Mas eu acho que grande parte disso se deve ao fato de simplesmente termos começado a olhar pro tanto de merda que temos acontecendo por aí.

Da morte de David Bowie logo nos primeiros minutos do ano ao descarrilhar da cultura do século XX quase toda. Da eleição nos EUA ao golpe aqui no nosso querido Brasilzão. Das trocentas histórias de desemprego entre amigos até os imprevistos cotidianos aos quais ninguém está imune. A gente foi anotando tudo.

Agora, temos um caderno cheio de problemas e terminamos o ano com essa sensação de esgotamento. 2016 foi foda, doeu, deixou um monte de gente pelo caminho.

Mas não dá pra pensar só na conjuntura mundial. Assim como não dá pra pensar só nas desgraças que aconteceram comigo. É injusto.

Por que a verdade é que pra cada pequena agulhada cotidiana, eu tenho mil motivos pra agradecer. Cada merda fez surgir apoio de onde eu nem imaginava. Cada tropeço veio com um inevitável recomeço. E é assim, até que a gente morre e o que sobra é descansar até a carne virar terra.

Esse ano, por exemplo, aconteceu tanta coisa que eu sempre quis, mas nunca tive força pra fazer. Eu comecei a escrever no meu Medium, publiquei uns 30 textos por lá, conheci um monte de gente legal, recebi tantas mensagens de elogio e apoio, quase diariamente, que ficou fácil até deixar isso meio de lado.

Eu finalmente terminei meu EP, que está engavetado, mas está pronto. E, olha só, estou bem avançado no processo de composição de uma outra coisa que pode vir a ser um novo EP ou, talvez, um disco propriamente dito.

Apesar de longe do ideal, esse foi meu ano mais saudável. Comi muito melhor, me exercitei muito mais, comprei uma bicicleta, fiz até uma trilha.

Esse ano eu fiz minha primeira viagem internacional, pro Peru, com a Ana Noemi Higa. Eu, no Machu Picchu. Com ela. Quem diria?

Esse foi o ano que eu aprendi que há momentos em que você tem que pisar no acelerador e momentos que tem que frear. Não dá pra trabalhar sempre com o motor a todo vapor. E isso só é possível graças a eu trabalhar num lugar tão fantástico quanto o PdH, que me proporciona mil experiências loucas todos os dias, mas acima de tudo, é um lugar que é quase um milagre, onde eu posso ser exatamente quem sou perto de gente incrível. Todo. Santo. Dia. Quantas pessoas têm essa sorte?

E agora estou terminando 2016 em Belém, em casa, com a minha mãe, meu irmão e meus amigos, como se ainda tivesse 15 anos.

Ainda assim, minha aposta é que 2017 vai ser pior. E acho que as chances são grandes de ser bem ruim, assim como todos os anos o são, principalmente se a gente não tiver autonomia e não souber tomar as rédeas de como encaramos os acontecimentos e solucionamos nossos problemas.

A verdade é que tudo sempre vai sair diferente do que planejamos. Não importa o quão bem feito nosso plano seja, sempre vamos nos deparar com algo inesperado. Sempre.

Pense só, a Disney investiu bilhões pra reviver Star Wars, pagou milhões só pra Carrie Fisher, sem contar os outros membros do elenco antigo, já tinham roteiro, diretor, tudo andando direitinho… e ela morre. Agora, eles terão que pensar em uma rota alternativa pra concluir a saga (que, dizem as bocas miúdas, teria justamente a Leia com muito mais destaque do que ela tinha na trilogia original). Eles pensaram em tudo, mas não teve jeito de pensar no que iam fazer se alguém morresse.

Assim vai ser pra gente também. Vamos investir nosso tempo e nosso dinheirinho torcendo pra que tudo dê certo. Mas na maioria das vezes, não vai dar.

O que realmente vai fazer 2017 ser um ano melhor ou pior não é sermos muito mais capazes de cumprir nossas promessas de ano novo, nem de gerar mais lucro pro patrão, ganhar uma promoção ou ver a economia brasileira despontar. Mas sim, a nossa capacidade de permanecer estáveis frente às tempestades que com certeza virão.

Certamente, em 2017 vamos enterrar muito mais celebridades, parentes e amigos que amamos e vamos ver o aumentar de muitas tensões políticas e econômicas.

Não precisamos fechar mais fronteiras, construir muros, colocar alarmes e nos fechar ainda mais, com medo de nos decepcionarmos. Aliás, foi esse impulso que nos trouxe até 2016.

Chega de raiva. Chega de ódio. E chega de medo.

Quando tudo der errado, vamos precisar das pessoas mais lúcidas, estáveis, com o coração aberto e cheio de compaixão.

É isso que vai nos trazer um 2017 diferente.

Feliz ano novo pra todo mundo!

Amo vocês!

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